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Petição Inicial no Novo CPC

Tudo que você deseja saber acerca da petição inicial, à luz do Novo CPC de 2015. Ncpc art 319. Requisitos.

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1  REQUISITOS GENÉRICOS DA PETIÇÃO INICIAL CÍVEL

 

1.1.   Definição de petição

 

petição inicial é de grande importância para o desiderato do processo, mormente levando-se em conta do princípio da inércia da atividade jurisdicional (CPC, art. ).

 

Desse modo, é com essa que o autor suscita o exercício do Estado- Juiz, importando na abertura do vínculo jurídico-processual.

 

Portanto, é por meio da petição inicial que a ação é materializada; na qual ocorre a propositura da ação.

 

Ademais,  a  peça  inicial  representa  uma  projeção  do  que  resultará  a sentença (CPC, art. 141 e 492).

 

Por esse norte, representa obediência ao princípio da adstrição, correlação e congruência.

 

É dizer, a sentença e a petição evidenciam as posições extremas do processo.

 

É com a peça exordial de um processo que o autor da ação expõe suas pretensões em juízo (sobretudo quando se define o pedido).

 

Com sua distribuição ou despacho inaugural, tem-se como ajuizada a demanda, consoante dispõe o art. 312 do CPC. Não só isso.

 

Agrega-se relevância quando a mesma tem o condão de interromper a prescrição — ainda que o despacho seja proferido por juízo incompetente, consoante § 1º, do art. 240 —, fixar a competência (CPC, art. 43) e a prevenção do juízo (CPC, art. 59).

 

            Na praxe jurídica adotam-se outras nomenclaturas para essa, tais   como

peça vestibular, peça exordial, petição de ingresso, etc.

 

Salvo raras exceções (a exemplo da previsão expressa contida na Lei nº. 9099/95, art. 14; nos casos de violência doméstica, art. 12 da Lei 11.340/2006) e; da ação de alimentos, art. 3º, § 1º, da Lei 5.478/1968), a petição inicial deve ser escrita.

 

Como “escrita” devemos entender a forma de se documentar a linguagem utilizada no processo. De regra por meio de papel.

 

Todavia, admitida a formulação por intermédio eletrônico, quando a situação assim o permitir.

 

Portanto, a regra é o ato formal e solene no formato escrito.

 

1.2.   Distribuição e registro

 

1.2.1.   Distribuição

1.2   


É ato processual que antecede ao registro, ocasião em que se procede a divisão dos processos entre os juízes que tenham competência concorrente para apreciá-los (CPC, art. 285).

 

É providência indispensável nas comarcas onde existam mais de um juiz ou mais de um escrivão (CPC, art. 284)

 

Desse modo, a distribuição dos processos, mesmo os eletrônicos,  deverá ser feita atendendo-se à aleatoriedade e à alternância entre juízes, sempre observando-se rigorosa igualdade de números entre esses (CPC, art. 285, caput).

 

Ademais, a lista de distribuição dos processos obrigatoriamente será publicada no Diário da Justiça (CPC, parágrafo único, art. 285)

 

Havendo erro nesses critérios, incumbe ao magistrado, de ofício ou a requerimento do interessado, corrigir a distribuição (CPC, art. 288)

 

Com efeito, é com a distribuição onde sucede a repartição de, v.g., petição

inicial, cartas precatórias e rogatórias, etc.

 

A ação é tida por proposta em juízo, com o simples protocolo da petição inicial (CPC, art. 312, primeira parte).

 

Desse modo, não mais dúvida de que a distribuição do feito se dar com a simples entrega da petição inicial ao setor  de protocolo.

 

Entretanto, no art. 263 CPC/73, havia a expressão “distribuída”, como sendo o momento da propositura da ação.

 

E isso trazia dubiedade de interpretação, uma vez que, na verdade, a protocolização do arrazoado inicial era a única diligência exigível para se ter a ação como proposta.

 

curiosa exceção quanto à ação de alimentos. Prevê a Lei de Alimentos (Lei 5478/68) que é cabível a ulterior distribuição e registro da ação (LA, art. 1º, caput e § 1º).

 

Na situação abaixo, descreve-se hipótese onde já existia juiz prevento para atuar no processo, daí direcionado à vara mencionada no arrazoado (CPC, art. 286, inc. I). 

 

 

Note bem: Nos processos eletrônicos, em razão do quanto disposto no art.      10 da Lei 11.419/06, as iniciais e contestações são insertas diretamente pelos advogados. Não se faz necessária a intervenção de cartório ou secretaria judicial para a finalidade de distribuir-se o processo digital. E isso foi reforçado com os ditames caput do art. 285 do CPC.

 

Importa ressaltar um outro dado importante concernente à distribuição do processo.

 

É que, à luz do que rege o § 1° do art. 240 do CPC, a prescrição é interrompida com a propositura da ação.

 

É dizer, o ato processual em comento tem total relevância no tocante a evidenciar uma demarcação quanto ao término da contagem do termo da prescrição.

 

Assim, existindo despacho inicial determinando a citação, mesmo que por juízo incompetente, os efeitos dessa retroagirão à data da propositura da ação.

 

Além disso, a distribuição da petição inicial, ou o registro, traz consigo a importância de delimitar o juízo que julgará a causa (CPC, art. 43).

 

Nesse passo, é a identificação da “autoridade competente” que resolverá o conflito, em perfeita sintonia com o princípio do juiz natural (ou constitucional) evidenciado na Carta Magna (CF, art. 5°, XXXVII e LII).

 

Do mesmo modo, o ato em espécie ou o registro, torna prevento o  juízo

(CPC, art. 59)

 

Igualmente, incumbe à parte autora recolher os valores correspondentes às custas e despesas de ingresso (CPC, art. 290).

 

É dizer, a guia de recolhimento dos valores deve acompanhar a peça exordial.

 

Essas custas condizem à taxa pelos serviços prestados pelo Judiciário, a suprir as despesas atinentes, cobradas conforme disciplinado por leis estaduais ou aquelas definidas pelo Regimento  de  Custas  da  Justiça  Federal. 

 

Desse modo,    é  indubitável  que  se  trata   de documento essencial à propositura da ação, nos moldes do art. 320 do CPC.    O não recolhimento acarretará o cancelamento da distribuição.

 

          Todavia, antes disso a parte autora deverá ser previamente intimada, por seu advogado (e não   a parte), para, no prazo de 15 dias, promover a regularização.

 

          Por conseguinte, deverá emendar a inicial (CPC, art. 321).

 

         A inobservância desse ato, culminará no cancelamento da distribuição e, mais, com a extinção do feito por abandono do processo.

 

 

Por fim, registra o CPC que, nas hipóteses de reconvenção ou intervenção de terceiro (v.g., oposição, nomeação à autoria, chamamento ao processo, etc), ou ainda outra hipótese de ampliação do processo, deverá ser feita a respectiva anotação pelo distribuidor (CPC, art. 286, parágrafo único).

 

Aqui não se trata de efetiva distribuição de processo.

 

Ao contrário disso, é tão somente a anotação atinente ao registro e documentação das peças processuais.

 

1.2.3.   Registro

 

 

É com o registro do processo que esse se encontra regularmente documentado, especialmente com a definição dos elementos que caracterizem uma específica ação (partes, número de páginas, data do ajuizamento, etc).

 

Confira na imagem abaixo a autuação de um processo onde consta inclusive a distribuição e o registro, bem assim outros elementos constantes da regra do art. 206 do CPC.


 

Assim, percebe-se que o ato de registro diz respeito a uma das categorias de atos praticados pelos auxiliares da justiça.

 

 

1.3.   “Nomen juris”

 

Para que a parte seja atendida em seu pedido, não se faz necessária a indicação do “nome da ação”.

 

Na realidade, essa, a ação, importa somente na prerrogativa de obter a tutela jurisdicional; a decisão meritória quanto à pretensão formulada em juízo.

 

Segundo o que delimita o art. 319 do Estatuto de Ritos, a nomenclatura utilizada para identificar o tipo de processo e procedimento não é requisito.

 

No entanto, adota-se essa conduta na praxe forense. A exemplo, costuma-se apelidar as ações como, v.g., ação revisional, ação estimatória, ação de depósito, ação revocatória, etc.

 

A propósito, extrai-se essa conclusão quando se percebe a diretriz  fixada no art. 207 do CPC.

 

Nessa conduta, há um procedimento a ser tomado pelo escrivão ou chefe de secretaria, quando do recebimento da petição inicial.

 

Observe-se que a norma reza que é dever especificar, dentre outros aspectos, apenas “a natureza do processo” (Processo de execução, de conhecimento …).

 

Todavia, ao se realizar o registro e autuação do processo, um dos aspectos requeridos pelo sistema de informática é justamente o “nome da ação”.

 

Na verdade, importa, sim, ao revés disso, o pedido e a causa de pedir (CPC, art. 319, inc. III e IV).

 

 

1.4.   Capacidade postulatória (jus postulandi)

 

A aptidão de postular em juízo é concedida ao advogado legalmente habilitado (CPC, art. 103 c/c art. 1º, inc. I c/c art. 3º, do EOAB).

 

Nem mesmo os estagiários de direito têm essa prerrogativa legal (EOAB, art. 3º, § 2º).

 

Além disso, somente poderá representar a parte (e ter capacidade postulatória) se lhe for concedida procuração (CPC, art. 104), salvo exceções previstas no dispositivo processual ora debatido.

 

Portanto, ao bacharel em direito regularmente inscrito na OAB. Igualmente ao membro do Ministério Público (v.g., CPC, art. 77;   ECA, art. 210, inc. I; CDC, art. 82, inc. I).

 

Não se deve confundir capacidade de postulação (jus postulandi), aqui tratada, com a capacidade processual (CPC, art. 70).

 

Essa diz respeito à parte, sobretudo no tocante ao cabimento de poder perquirir seus direitos em juízo; de sua titularidade em referente a alguma pretensão ou obrigação; da sua aptidão de exercer pessoalmente os atos da vida civil.

 

Aquela, contudo, cuida da propriedade de quem pratica os atos processuais; de sua capacidade técnica de redigir peças processuais.

 

Nesse passo, pode acontecer de existir um incapaz tenha capacidade processual (v.g., CC, art. 3º, 4º, 1.747, inc. I, 1.782, etc; ECA, art. 21, etc), porém deverá ser representado em juízo na forma da lei (CPC, art. 71).

 

Desse modo, a rigor não é dado à própria parte invocar sua pretensão  em juízo.

 

Entretanto, se essa tem habilitação legal para tanto (advogando em causa própria), faculta-se a postulação por intermédio de profissional do  Direito.

 

Ademais, segundo norma constitucional, o advogado é indispensável à administração da Justiça (CF, art. 133), não podendo, por isso, ser confundida a capacidade de postular em juízo com o direito de acesso à Justiça e o de petição (CF, art. 5º, inc. XXXIV e XXXV).

 

O desatendimento enseja nulidade absoluta dos atos praticados (EOAB, art. ).

 

De outro importe, impende considerar que há outras exceções.

 

No entanto, registre-se que as exceções nesse propósito devem estar prevista em Lei (assim, desobrigação que surge ope legis e não ope judicis).

 

Nas causas que não ultrapassem o equivalente a vinte salários mínimos, consoante reza a Lei dos Juizados Especiais (art. da Lei 9099/95), é conferido à parte a prerrogativa de atuar diretamente no processo (c0mo autor ou réu), exceto na fase recursal (LJE, art. 41, § 2º).

 

O mesmo se diz com respeito aos Juizados Especiais Federais (Lei 10.259/01, art. 10).

 

Outrossim, permite-se que a parte impetre Habeas Corpus, para si ou para outrem, faculdade essa conferida por norma processual penal (CPP, art. 654, caput), assim como pelo Estatuto da OAB (EOAB, art. 1º, § ).

 

O mesmo ocorre perante a Justiça do Trabalho (CLT, art. 791).

 

Da mesma forma, é permitida à vítima de violência doméstica requerer medidas    protetivas de urgência diretamente ao juiz (Lei 11.340/2006, art. 19, caput c/c art 27).

 

            Há ainda uma ressalva nesse sentido com respeito ao pedido de alimentos, permitindo que a parte credora de alimentos, mesmo sem auxílio técnico de advogado, possa requerê-los em juízo (Lei 5478/68, art. ).

 

Constatada eventual irregularidade quanto à representação, cabe ao juiz, mesmo de ofício, determinar que seja sanada a falha (CPC, art. 76), sob pena de arcar com as consequências processuais mencionadas nesse mesmo artigo do CPC.

 

É dizer, nessa situação é imposto que o juiz conceda à parte uma antecipada oportunidade para corrigir o defeito processual.

 

 

1.5.   Formas

 

 

No campo do processo civil, a regra é que a petição inicial seja redigida na forma escrita, mesmo que em autos parcial ou totalmente digitais (CPC, art. 193). Não obstante, existem exceções.

 

Nos Juizados Especiais, é permitida que a petição inicial seja aforada de forma oral (LJE, art. 14, caput).

 

Ainda assim essa deverá ser reduzida a escrito (LJE, art. 14, § 3º). Da mesma forma na Lei de Alimentos (LA, art. 3º, § 1º), a qual, igualmente deve ser reduzida a termo.

 

Ademais, exige o CPC que em todos os atos e termos do processo — aí incluída a petição inicial, obviamente — seja feito o uso da língua portuguesa (CPC, art. 192, caput).

 

É dizer, é necessário o emprego da língua oficial brasileira (CF, art. 13, caput).

 

Do contrário, é mister versão traduzida por tradutor juramentado, quando o documento tenha tramitado por via diplomática ou pela autoridade central (CPC, art. 192, parágrafo único e art. 41, CC, art. 224 c/c art. 148, caput, da Lei de Registro Públicos).

 

Porém, isso não significa que qualquer expressão alheia à língua nacional não possa ser usada.

 

Em vez disso,  o âmago da norma é instar que seja predominante o uso do vernáculo, da língua portuguesa.

 

Dessa forma, não se tem por imprópria, v.g., referências à literatura estrangeira, utilização de brocardos em latim, etc.

 

Ao invés disso, essas situações são frequentes na praxe forense; é costume empregá-las nas lides.


1.6.   Dicas de redação forense

 

A petição inicial é uma das peças do processo que requer extrema atenção do operador do Direito.

 

É com ela que você deve expor, sucintamente, sua pretensão em juízo.

 

Se a peça exordial é dúbia, confusa e imprecisa, certamente haverá algum entrave quando da análise da regularidade processual.

 

Diante dessa significativa importância à pretensão de fundo, dedicamos estas linhas a debatermos com esse enfoque, sobretudo quanto à redação da peça vestibular, todavia maior focado com a redação forense.

 

Falar em petição inicial é de logo assimilar algo com o silogismo. “Isso equivale ao raciocínio mediante o qual da posição de duas coisas, decorre a outra, tão só pelo fato de terem sido postas. (Aristóteles)

 

É um argumento dedutivo formado de 3 preposições encadeadas, de tal modo que as duas primeiras se inferem necessariamente à terceira.

 

Vamos exemplificar: Suponhamos que Steve Berends seja um cidadão Norte Americano.

 

No Brasil, dentre outros requisitos, se faz necessária a cidadania brasileira para exercer o direito de voto. Então, concluo que Steve Berends não pode votar no Brasil.

 

A minha conclusão foi obtidas em face de duas preposições que anteriormente me foram levantadas (no caso, a cidadania de Steve e a legislação brasileira quanto ao direito de votar).

 

Esse  raciocínio  é  alcançado  por  meio  das  premissas.  Essas        são

subdivididas em premissa maior, premissa menor e a conclusão.

 

No exemplo acima exposto, a condição de Steve seria a premissa menor; quanto ao direito de voto no Brasil, esse é a premissa maior e; por fim, a impossibilidade de voto do cidadão norte americano é a conclusão.

 

Sem se dar conta certamente você já se utilizou das premissas no seu dia a dia. Vamos mais uma vez exemplificar: se digo que neste final de campeonato de futebol é preciso duas vitórias para se sagrar campeão e, por outro lado, seu time só tem mais um jogo, concluo que ele não será campeão.

 

Pois bem, toda essa lógica deve ser empregada quando da elaboração da peça exordial. É de total conveniência que se faça isso.

 

Na petição inicial deve se adotar a seguinte orientação:

 

        O fato – Premissa menor

 

        O direito – Premissa maior

 

        O pedido Conclusão

 

Nesse passo, o advogado deverá expor um quadro fático de sorte que, agregado aos fundamentos jurídicos ali expostos, o juiz possa chegar a uma conclusão.

 

 

Não é demais lembrar que a petição inicial nada mais é do que peça dissertativa, onde a parte, por seu patrono, procura convencer o julgador da pertinência do seu direito posto em debate.

 

 

Quando falamos em dissertação de ideias, logo nos vêm em mente as lições de Aristóteles (Arte da Retórica).

 

Para o mesmo, a dissertação reclama um começo, meio e fim, tudo devidamente estruturado.

 

Essas três partes denominaram-se de exórdio, desenvolvimento e a peroração.

 

Ao exórdio se destina a ideia-chave, a ideia-núcleo, delimitando a tese a ser sustentada durante a dissertação que será exposta na sua peça.

 

Nessa primeira fase se define o âmago da pretensão deduzida em juízo. Contudo, não há espaço para se alongar nessa primeira etapa.

 

É indevida a inserção de qualquer ideia conclusiva nessa fase.

 

A esse parágrafo de abertura, com o propósito acima aludido, denomina-

se de “tópico frasal”.

 

 

No tocante à etapa do desenvolvimento (ou argumentação), essa aparece logo após a inserção do tópico frasal.

 

Aqui se expõe com precisão todas as linhas de argumentação, de sorte a demonstrar o cabimento jurídico de pedido de fundo.


Nesse estágio é oportuno que haja uma concatenação de ideias.

 

Essas serão postas nos parágrafos, formando um encadeamento de argumentos, todos eles intimamente interligados. 

 

De ressaltar que esses parágrafos serão “unidos” por elementos de ligação (ou conectivos).

 

Seriam exemplos: portanto, desse modo, assim, etc.

 

Esses conectivos podem ser de: (a) adição, continuação: ademais, outrossim, também, vale ressaltar, etc; (b) de resumo, recapitulação, conclusão: em arremate, em conta disso tudo, em resumo do que fora aludido, etc; (c) de causa e consequência: Desse modo, diante disso, por isso, etc.

 

 

Com a conclusão, ou o fecho redacional, uma síntese do que fora antes afirmado, concluindo-se com argumentos destinados a ratificar os fundamentos antes levantados.

 

Ainda é por demais oportuno destacar o significado dos elementos da narração jurídica.

 

Ao narrar-se o quadro fático na peça vestibular, atente para os seguintes elementos narrativos: (a) quando (define os acontecimentos no tempo); onde (situa os fatos em algum lugar ocorrido); (c) quem (especifica as pessoas participam dos fatos expostos); (d) o quê (equivale o enredo da narração); (e) como (são os pormenores da forma que os fatos ocorreram); (f) porquê (motivações que deram origem aos acontecimentos); (g) por isso (consequências desses fatos). 

 

 

Dicas genéricas com aplicação na elaboração da petição inicial

 

 

(a)  Sempre procure examinar a data que surgiu o direito do seu cliente. Nesse sentido, verifique inicialmente se ocorreu a figura da prescrição ou decadência;

 

 

(b)   Evite a linguagem vulgar, especialmente jargões ou linguagem arcaica;

 

 

(c)  Seja conciso na sua dissertação. Não se alongue além do necessário a expor os fatos e os fundamentos jurídicos. Lembrando que os fatos exigidos são os “fatos jurídicos”. É dizer, são os fatos que

 

têm significância ao desiderato da causa. Os fundamentos exigidos na dissertação da exordial são os fundamentos jurídicos e não os fundamentos legais. Nesse último caso, você estaria especificando qual norma abriga na sua pretensão;

 

 

(c) Procure utilizar sinônimos para não tornar a leitura cansativa com as mesmas palavras;

 

 

(d) Caso a pretensão em juízo seja futuramente comprovada por provas documentais, certifique-se se o cliente as tem. Seriam os documentos essenciais, os que tem significado para o desiderato da querela;

 

 

(e) Observe se há litisconsórcio (passivo ou ativo);

 

 

(f) Atente para a idade do seu cliente ou estado de saúde do mesmo. Isso pode significar eventual prioridade na tramitação do processo ou mesmo um dos argumentos de possível pretensão acautelatória de urgência  (periculum in mora);

 

 

(g)   Veja se o cliente menciona a existência de um outro processo que trate do tema a ser debatido. Analise se prevenção, litispendência, etc. ;

 

 

(h)  Avalie se no polo passivo figurará algum personagem que reclama competência especial;

 

 

(i) Aconselha-se solidificar seus argumentos com notas de doutrina e/ou jurisprudência, quando possível recente;

 

 

(j) O nomem iuris (nome da causa) não tem importância para o juiz. Todavia, necessário delimitar o rito com o qual o processo tramitará;

 

 

(l)  Atente-se para os requisitos gerais indicados no art. 319 do Código de Processo Civil;

 

 

(m)   Veja se o quadro fático exposto pelo cliente indica algum pedido de tutela provisória, seja de urgência ou de evidência. Se sim, pedir   máximo de documentos evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

 

 

1.7.   Deferimento da petição inicial

 

 

Satisfazendo a peça exordial o que delimita o CPC — ou seja, não seja  a hipótese de emenda da petição inicial (CPC, art. 321) ou de improcedência liminar do pedido (CPC, art. 332) —, o juiz deliberará pela citação da parte promovida na ação (CPC, art. 334, caput), instando-a a comparecer à audiência de conciliação ou mediação não para se defender, ainda (CPC, art. 335, inc. I).

 

Todavia, para que esse ato processual aconteça, necessário que o autor manifeste, na peça exordial (CPC, art. 319, inc. VII), esse interesse em compor com a parte adversa (CPC, art. 334, § 5º).

 

Inexistindo possibilidade de composição, o réu será citado, desta vez para oferecer contestação.

 

Nesse compasso, previamente será analisada se a petição inicial atende aos requisitos extrínsecos e intrínsecos definidos no Código (v.g. CPC, art. 334, 320, 287, 106, inc. I, etc); é o juízo de admissibilidade positivo da demanda.

 

 

1.8.   Indeferimento da petição inicial

 

 

Resulta do indeferimento da inicial uma atitude processual do juiz de primeiro grau ou como na alçada de Tribunal(pelo relator ou pelo colegiado), de sorte a obstar o prosseguimento da ação.

 

O magistrado, ao receber a petição inicial, analisará o cumprimento   dos requisitos de admissibilidade dessa (CPC, art. 106, 319 e 320).

 

É a fase  de saneamento de eventuais imperfeições, desde que reparáveis.

 

As deficiências podem se apresentar no contexto intrínseco, em face das disposições contidas no art. 319 do CPC; ou extrínseco, por descumprimento dos ditames expressos no art. 106 e 320 do Código de Processo Civil.

 

Com isso, referida decisão não é daquelas delegadas aos serventuários da Justiça (CPC, art. 203, § 4º), porque, nesses casos, há um processo de cognição feito somente pelo magistrado.

 

 

Essa sentença, ademais, não resolve o mérito da questão (CPC, art. 485, inc. I).

 

O inverso, ou seja, a decisão que defere a inicial é decisão  interlocutória (CPC, art. 203), uma vez que não julga o mérito.

 

 

Encontrando vício que comprometa o desenvolvimento regular do processo, é dever do juiz conceder prazo para que o autor corrija o defeito ou, por outro lado, explicar a inexistência desse (CPC, art. 321).

 

Além desse propósito, referido comando obedece ao princípio constitucional do contraditório.

 

Nesse compasso, não é permitido que o juiz de pronto indefira a petição inicial, salvo quando o defeito for insanável (v.g., ilegitimidade da parte, decadência, etc).

 

Não emendada (corrigida) ou completada, cabe ao magistrado indeferir a peça vestibular.

 

 

O indeferimento da petição inicial pode se dar de forma parcial, quando apenas algumas das pretensões possa ser acolhida (pedidos cumulados).

 

Nessa hipótese, o processo terá seguimento, todavia somente em relação aos demais pedidos não refutados.

 

Nesse passo, como a decisão não extingue totalmente      o processo, será decisão interlocutória impugnável por meio de agravo de instrumento, se proferida por juiz  singular  de  primeiro  grau  (CPC,  art.  354, parágrafo único); se, ao invés, for pronunciada por relator, o recurso específico será o agravo interno (CPC, art. 1.021), mesmo que seja decisão pelo indeferimento total.

 

Se porventura for pronunciamento judicial de indeferimento, total ou parcial, originário de órgão colegiado(acórdão), a depender da hipótese o recurso pertinente será o recurso especial, recurso extraordinário ou recurso ordinário constitucional (CPC, art. 994, inc. VI, VII e V, respectivamente).

 

 

Impende averbar que o indeferimento da petição inicial unicamente pode ocorrer antes da citação do réu.

 

Ultrapassada essa etapa processual, ou seja, estando o réu já integrado na lide, a situação já não é mais de indeferimento da inicial.

 

Se não for isso, o magistrado proferirá sentença de extinção do processo, sem adentrar ao mérito, porém em face da ausência de condição da ação ou pressupostos processuais (CPC, art. 485, inc. IV).

 

 

Uma outra peculiaridade é que, em decorrência de sentença de extinção, por indeferimento da petição inicial, é franqueado ao autor recorrer e, ao juiz, em face disso, retratar-se e reformar sua decisão (CPC, art. 331, caput).

 

Caso não se retrate, determinará a citação da parte demandada (CPC, art. 331, §  ). 

 

          Não interposto recurso, entrementes, o réu será intimado do trânsito em  julgado (CPC, art. 331, § ).

 

 

De outro bordo, saliente-se que as matérias atinentes ao indeferimento da petição inicial são de ordem pública.

 

É dizer, podem ser conhecida ex oficcio pelo juiz, não se sujeitam a preclusão e podem ser alegadas em qualquer grau de jurisdição e a qualquer tempo.

 

 

O Código enumera várias possibilidades de indeferimento da petição inicial, a teor do que rege o art. 330.

 

Essas causas, motivadoras do indeferimento da inicial, é “numerus clausus”, não admitindo, por conseguinte, interpretação extensiva:

 

 

I  - inépcia da inicial: sob o enfoque estrito da linguística, a expressão sugere incapacidade, incoerência ou confusão no discorrer etc., em suma, ausência de aptidão. Não obstante, sob o ângulo processual, a inépcia da petição inicial ocorrerá quando apontar algumas das nuances estipuladas no § 1º do art. 330 do CPC;

 

 

II  - quando a parte for manifestamente ilegítima: cabe também ao juiz aferir se a parte tem legitimidade para pleitear os direitos aludidos na exordial. É a chamada legitimidade ad causam. A obtenção do resultado da tutela jurisdicional deve guardar consonância com aquele que se apresenta para tal propósito; deve traduzir, portanto, uma titularidade ativa, no caso (CPC, art. 17 c/c art. 18). Ela é carecedora (não possui, não tem) da ação. Trata-se de uma das condições da ação e, por isso, em face da ilegitimidade (“manifesta”, diz a regra), o processo deverá ser extinto sem resolução de mérito (CPC, art. 485, inc. VI);

 

 

III     - quando o autor carecer de interesse processual: acaso a providência judicial almejada seja incapaz de atender aos propósitos do autor, diz-se que inexiste interesse de agir (ou interesse processual). Assim, a eventual prestação jurisdicional não proporcionará nenhuma utilidade ao pretendente; inexistirá condição de melhora no quadro encontrado e narrado na petição inicial. Desse modo, o interesse processual está intimamente ligado ao binômio necessidade-adequação. Se o bem jurídico almejado pelo autor da ação não depende de qualquer intervenção judicial, da prestação jurisdicional, é inócuo

que o Estado preste assistência. É o caso de um consumidor bancário ajuizar uma ação de exibição de documentos, de sorte a obter a tabela das tarifas bancárias de seu banco, encontra-se, na hipótese, todas elas dispostas no site do banco. É dizer, não se faz necessária a intervenção do Judiciário. Não há necessidade. Basta acessar o site da instituição financeira e então alcançar os extratos desejados. Concernente à adequação do pedido, nessa hipótese o pleito deve ser idôneo      a solucionar o litígio exposto em juízo. Não é apropriado postular-se por meio de uma ação reivindicatória a extinção de uma relação locatícia por falta de pagamento. O caminho processual formulado, nesse caso, é inadequado à obtenção da prestação jurisdicional, sendo o procedimento correto o ajuizamento de uma Ação de Despejo (LI, art. );

 

 

IV  - quando a petição inicial não atender aos pressupostos 106 e 321 do CPC: no que tange ao primeiro dispositivo, exige-se que o advogado, quando postular em causa própria, informe, com a inicial ou contestação, o endereço (bem assim as futuras mudanças havidas), número de inscrição na OAB (inclusive se pertencer a alguma sociedade de advogados). A outra regra diz respeito à emenda ou complementação da petição inicial. Verificado que a peça vestibular não preenche todos os requisitos expostos nos artigos 319 e 320 do CPC, deverá o magistrado determinar que a parte emende-a ou complemente-a, no prazo de dez dias. Não sendo cumprida a decisão, o juiz indeferirá a petição inicial (CPC, art. 321);

 

§ 1º. Considera-se inepta a petição inicial quando: Elenca-se situações processuais (a seguir descritas) que, quando ocorridas, resultarão na inépcia da inicial. Nesse compasso, é nítido que há um rol taxativo de hipóteses (numerus clausus). Desse modo, constata-se que os defeitos descritos na norma torna inviável a análise do mérito da questão proposta à solução.

 

 

I  - Ihe faltar pedido ou causa de pedir: necessariamente com a inicial o autor da ação deve descrever as razões de fato que o leva a ajuizar a ação. Além disso, igualmente as motivações jurídicas para sua pretensão jurisdicional. É a chamada causa de pedir ou “causa petendi ” de seu pleito judicial (CPC, art. 319, inc. III); 


II   - se o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais que se permite o pedido genérico: a exordial deve trazer pedido determinado (CPC, art. 324). Entenda-se como aquele definido quanto à quantidade e qualidade. O inverso é o pedido genérico ou indeterminado. Portanto, significa que a pretensão jurisdicional da parte é precisa, delimitada, etc. Contudo, com respeito à determinação do pedido, a norma processual traz exceções, permitindo, desse modo, em certos casos, pleito genérico ou indeterminado (CPC, art. 324,

§ 1º). Depreende-se que a segunda parte do disposto no inciso ora debatido se apega à ressalva feita no § 1º do art. 324 do CPC;

 

 

III   - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão: falar em petição inicial é de logo assimilar algo com o silogismo. É um argumento dedutivo formado de 3 preposições encadeadas de tal modo que as duas primeiras se infere necessariamente à terceira. Esse raciocínio é alcançado por meio das premissas. Essas são subdivididas em premissa maior, premissa menor e a conclusão. Toda essa lógica deve ser empregada quando da elaboração da peça exordial. Na petição inicial deve se adotar a seguinte orientação: o fato, como premissa menor; o direito, como premissa maior e; o pedido, como sendo a conclusão. Nesse passo, faz-se necessário que a peça de ingresso exponha um quadro fático de sorte que, agregado aos fundamentos jurídicos ali expostos, o juiz possa chegar a uma conclusão;

IV    

 

V     - contiver pedidos incompatíveis entre si: a situação em espécie é clara quanto à necessidade primeira da existência de pedidos cumulativos (CPC, art. 327, caput). Portanto, a formulação de pedidos cumulados (cumulação própria) é aceito pelo CPC. Todavia, esses devem ser harmonizados no plano jurídico, o que inclusive se coaduna com o teor do inc. I, do § 1º, do art. 327 do Código de Processo Civil. Assim, aquele que, por exemplo, formula estes dois pedidos cumulados: o primeiro para se anular um contrato por nulidade absoluta em em razão da parte adversa ser absoluta incapaz (CC, art. 166, inc. I) e; um outro, acumulativo àquele, pleiteando o pagamento de parcelas vencidas e a vencer desse mesmo pacto. Nitidamente há um óbice de incompatibilidade: por um lado afirma-se a nulidade; por outro, pede-se o pagamento de valores atinentes desse mesmo contrato objeto de anulação. Em que pese isso, determinada a

 


emenda da inicial (CPC, art. 321) e, com isso, o autor venha a desistir de um dos pedidos incompatíveis, inexiste óbice para que o processo prossiga, doravante com enfoque apenas em um desses;

 

 

§ 2º. Litígios que versem sobre empréstimo, financiamento ou de alienação de bens : nas pretensões que objetivem revisar obrigações contraídas com instituições financeiras, especificamente quanto a empréstimo, financiamento e de alienação de bens, a norma exige que inicial especifique quais obrigações entabuladas contratualmente pretende controverter. Ademais, deverá a exordial, sob pena de indeferimento, quantificar o valor incontroverso do débito em litígio. A regra processual insta que a parte autora deposite em juízo a parte do débito(parcela) controversa. Quanto àquela incontroversa, deverá continuar a ser paga no modo e tempo contratados.

 

 

1.9.   Emenda ou complemento da petição inicial

 

 

Surgindo a hipótese de desatendimento a quaisquer dos pressupostos   da petição inicial (CPC, art. 319 e 320), ou mesmo caso apresente defeitos ou irregularidades, cumpre ao juiz ordenar que a parte a emende (no sentido de corrigir) ou complete-a, no prazo de 15 dias (CPC, art. 321, caput).

 

Dessarte, há um controle inaugural do processo pelo juiz, de sorte a viabilizar as imperfeições sanáveis; trata-se de juízo de admissibilidade da demanda.

 

É dizer, almeja-se que o processo tenha continuidade, todavia de sorte que permita o julgamento  de mérito.

 

Entretanto, sendo o defeito insanável, de modo que torne impossível a emenda, o indeferimento liminar é legal e inevitável.

 

São os casos, por exemplo, de decadência de direito, de ilegitimidade ad causam, etc (CPC, art. 330).

 

 

O exame dos pressupostos, logo de início, antes de estabilizar-se a lide (CPC, art. 329), tem seu valor.

 

Com isso, a parte adversa será chamada a integrar ao processo com melhor possibilidade do exercer o amplo direito de defesa.

 

 

O descumprimento do prazo não poderá resultar, de imediato, no indeferimento da peça vestibular, em que pese assim o estipular o Código (CPC, art. 321, parágrafo único c/c art. 330, inc. IV).

 

O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o tema, de maneira que o prazo em espécie não é peremptório, categórico, final.

 

Assim, admite-se menor rigor, sendo permitidas várias emendas sucessivas, ampliação do prazo ou até mesmo sua prorrogação.

 

E isso se dar   em decorrência do princípio da instrumentalidade das formas, bem assim do aproveitamento dos atos processuais (CPC, art. 244 e art. 283).

 

Pode ocorrer que o autor não a corrija satisfatoriamente; o magistrado perceba posteriormente um outro defeito que permita ser sanado, etc.

 

Entrementes, o que não se aceita é a desídia, menosprezo a diversos chamamentos feitos para corrigir-se.

 

A doutrina processualista tem por praxe fragmentar a decisão de admissibilidade da petição inicial em: ( a ) positiva; ( b ) negativa e; ( c ) ordinatório.

 

 

A primeira situação, da