Peças Processuais

Resposta à Acusação - Abandono material - CP art 244 PN953

Modelo de petição de resposta à acusação em crime de abandono material. Resposta do acusado.

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Trecho da petição

 

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 00ª VARA CRIMINAL DA CIDADE

 

 

 

Ação Penal

Proc. nº.  7777.33.2018.5.06.4444.

Autor: Ministério Público Estadual

Acusado: José das Quantas

 

 

                              Intermediado por seu mandatário ao final firmado, causídico inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado, sob o nº. 112233, comparece o Acusado, tempestivamente (CPP, art. 396, caput), com todo respeito a Vossa Excelência, para apresentar, com abrigo no art. 396-A da Legislação Adjetiva Penal, a presente

RESPOSTA À ACUSAÇÃO,

evidenciando fundamentos defensivos em razão da presente Ação Penal, a qual agitada em desfavor de JOSÉ DAS QUANTAS, já qualificado na exordial da peça acusatória, consoante abaixo delineado.                                  

1 – SÍNTESE DOS FATOS 

                                     

                                      Colhe-se da denúncia, tendo como suporte fático os fundamentos estatuídos no IP n°. 1122/0000, que o Acusado, desde o dia 00 de maio do ano próximo passado, deixou, sem causa, de prover alimentos a sua filha, menor impúbere.

 

                                      Prossegue a peça acusatória, em linhas tortuosas e sucintas, que, à infante, Mariana de Tal, foram concedidos judicialmente alimentos mensais no importe de um (1) salário mínimo (fls. 17/18 do IP). Esses, na data da denúncia, já se apresentavam na quantidade de sete (7) parcelas sucessivas e mensais.

 

                                      Todavia, sustenta, ainda, com tal proceder do Acusado, afora a inadimplência em si, traz à menor consideráveis necessidades financeiras.

 

                                      Diante desse quadro, o Ministério Público denunciou o Réu como incurso no tipo penal descrito no art. 244 do Código Penal (abandono material) com a causa de aumento prevista no art. 71, igualmente do Código Penal (crime continuado).

 

                                      Nesse compasso, são essas as considerações fáticas que importam ao deslinde desta defesa.     

                      

2  - NO ÂMAGO DA DEFESA

A HIPÓTESE RECLAMA ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA – CPP ART. 397, III

 

2.1. Atipicidade da conduta descrita - Ausência de Crime (CP, art. 20)

 

                                      A peça acusatória é omissa, imprecisa, vaga e eivada de inverdades.

 

                                      Convém destacar, antes de tudo, que, verdadeiramente, o Réu não guarda, nessa ocasião, quaisquer condições de arcar com o pagamento da verba alimentar em estudo.

 

                                      Na época da estipulação dos alimentos, em face do divórcio em liça, o Acusado detinha o cargo de Diretor Adjunto no Banco Zeta. (doc. 01)

 

                                      Lado outro, o Réu, na época da separação, também pagava pensão alimentícia a sua ex- esposa Maria das Tantas, atualmente no importe de R$ 0.000,00 (.x.x.x ), que, adicionado a outros encargos, resulta no total de R$ 0.000,00 (.x.x.x.). (docs. 02/04)

 

                                      No dia 00 de maio do ano de 0000, o Acusado se casou novamente, sob o regime de comunhão universal de bens, com Aline das Tantas, em que essa adotou, após o enlace, o nome de Aline das tantas de tal. (doc.05) Os mesmos, igualmente, possuem um único filho menor, esse nascido no dia 10 de março de 0000. (doc. 06)

 

                                      Em 04 de abril do 0000, o Acusado tivera seu contrato de trabalho rescindido (sem justa causa), então vigorante com Banco Zeta S/A.(doc. 07/09) Passou, então, a figurar como mais um no rol de desempregados.

 

                                      Pagava as suas ex-cônjuges, por desconto em folha de pagamento, na ocasião de sua demissão, as importâncias de R$ 0.000,00 (.x.x.x )(Valinda) e R$ 000,00 (.x.x.x ) (Ilda). (docs. 10/13)

 

                                      Apesar dessa drástica adversidade do destino, o Acusado, ainda assim, maiormente demonstrando a honradez que sempre lhe foi peculiar, continuou pagando rigorosamente suas obrigações alimentares, aliás como o sempre fez. (docs. 14/29)

 

                                      Somente no dia 01 de setembro de 0000 foi que o Denunciado conseguiu, naquela oportunidade como sócio de empresa de consultoria (Senior  .x.x.x Ltda), angariar uma nova fonte de renda. (doc. 30) Todavia, bem aquém do salário que antes recebia, ou seja, R$ 00.000,00 ( .x.x.x ).  (docs. 31/35)

 

                                      Veja que o Acusado percebia, em seu último extrato de pagamento de salário, deduzidos vários encargos, inclusive alimentares, a quantia de R$ 00.000,00 ( x.x.x. ). (doc. 36) Acrescente-se, ainda, que o Réu teria que deduzir várias obrigações tributárias e trabalhistas desse minúsculo contrato. Melhor dizendo, único contrato e fonte de renda.

 

                                      Mas não durou muito. No dia 12 de maio de 0000, esse precioso contrato, infelizmente, fora desfeito. (doc. 37)

       

                                      Nesse diapasão, é inescusável a situação de ruína financeira do Réu. É dizer, a escusa é potencialmente legítima, resultando, com isso, sem dúvidas, a ausência de qualquer intenção dolosa de praticar o pretenso delito em espécie.

 

                                      Decorre disso, que, ao menos com a exordial, nem de longe o Parquet trouxera à tona qualquer elemento probatório que demonstrasse a capacidade financeira do Réu. Mais ainda, qualquer intento proposital de perpetrar o dano em mira.

 

                                      Bem sabemos que esse ônus é da Acusação, e só dela. Cabe à mesma, e assim não o fez satisfatoriamente, provar o quadrante fático exposto na exordial acusatória, pois, obviamente, apenas àquela interessa. (CPP, art. 156, caput).

 

                                      Com efeito, é inevitável que tudo isso concorreu para atipicidade de conduta.

 

                                      A descrição do tipo penal reclama, para que seja alcançada, o propósito de descumprir a decisão judicial que fixara a verba alimentar, o dolo.

 

                                      Assim reza o Estatuto Repressivo nesse enfoque:

 

Art. 244 - Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho, ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente, gravemente enfermo:

Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa, de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no País.

 

                                      Todavia, a denúncia se limitou a justificar a pretensão condenatória afirmando que “o atraso no pagamento da pensão alimentícia trouxe à menor dificuldades financeiras”.

 

                                      Urge trazer à colação o magistério Cléber Massom:

 

Elemento normativo do tipo: O elemento normativo é representado pela expressão “sem justa causa”, que funciona como elemento negativo do tipo. Presente a justa causa para a falta de assistência material, o fato será atípico. O art. 733, § 1º, do CPC permite a escusa legítima do devedor quanto à obrigação alimentícia...

( ... )

Sinopse

Trata-se de Resposta à Acusação, com pedido de absolvição sumária, ofertado em face de ação penal agitada em face de pretenso crime de abandono material (CP, art. 244), decorrente do não pagamento de pensão alimentícia.

Colhe-se da denúncia, tendo como suporte fático os fundamentos estatuídos em inquérito policial, que o acusado, desde o dia 00 de maio do ano próximo passado, deixou, sem causa, de prover alimentos a sua menor impúbere.

Prossegue a peça acusatória afirmando que, à infante, Mariana de Tal, foram concedidos judicialmente alimentos mensais no importe de um (1) salário mínimo. Esses, na data da denúncia, já se apresentavam na quantidade de sete (7) parcelas sucessivas e mensais.

Sustentara, ainda, com tal proceder do acusado, afora a inadimplência em si, trazia à menor consideráveis necessidades financeiras.

Diante desse quadro, o ministério público denunciou o réu como incurso no tipo penal descrito no art. 244 do Código Penal (abandono material) com a causa de aumento prevista no art. 71, igualmente do Código Penal (crime continuado).

 Contudo, para a defesa, verdadeiramente, o réu não guardava, naquela ocasião, quaisquer condições de arcar com o pagamento da verba alimentar em estudo.

Nesse diapasão, era inescusável a situação de ruína financeira do réu. É dizer, a escusa era potencialmente legítima, resultando, com isso, sem dúvidas, a ausência de qualquer intenção dolosa de praticar o pretenso delito em espécie (abandono material).

Decorria-se disso, que, ao menos com a exordial, nem de longe o parquet trouxera à tona qualquer elemento probatório que demonstrasse a capacidade financeira do réu. Mais ainda, qualquer intento proposital de perpetrar o dano em mira.

Lado outro, esse ônus é da acusação, e só dela. Caberia à mesma, e assim não o fez satisfatoriamente, provar o quadrante fático exposto na exordial acusatória, pois, obviamente, apenas àquela interessa. (CPP, art. 156, caput).

Com efeito, era inevitável que tudo isso concorreu para atipicidade de conduta (CP, art. 20).

A descrição do tipo penal reclama, para que seja alcançada, o propósito de descumprir a decisão judicial que fixara a verba alimentar, o dolo.

Enfim, mostrava-se imperiosa a absolvição sumária do acusado, mais precisamente em razão da ausência de tipicidade penal na conduta visualizada pela acusação. (CPP, art. 386, inc. III)

Foram inseridas notas de jurisprudência de 2018 e doutrina abalizada

 

Jurisprudência Atualizada
Jurisprudência Atualizada desta Petição:

APELAÇÃO CRIMINAL. ABANDONO MATERIAL. PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO. INADIMPLÊNCIA. DOLO. NÃO CONFIGURADO. ABSOLVIÇÃO. MANTIDA. PREQUESTIONAMENTO.

1. Não comprovado nos autos o elemento normativo do tipo, mantém-se a absolvição. 2. Inexistente vício, o prequestionamento deve ser admitido tão somente para efeito de assegurar eventual interposição de recurso a instância superior. Apelação improvida. (TJGO; ACr 149917-77.2017.8.09.0097; Jussara; Primeira Câmara Criminal; Rel. Des. Ivo Fávaro; Julg. 27/09/2018; DJEGO 27/11/2018; Pág. 180)

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Características deste modelo de petição

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Área do Direito: Penal

Tipo de Petição: Resposta do acusado

Número de páginas: 10

Última atualização: 13/01/2019

Autor da petição:

Ano da jurisprudência: 2018

Doutrina utilizada: Cleber Rogério Masson

Histórico de atualizações

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