Peças Processuais

Ação de Reconhecimento de União Estável post mortem Novo CPC PN778

Modelo de petição de ação de reconhecimento de união estável post mortem c/c petição de herança. Novo CPC. Partilha de bens em inventário. Pós morte.

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Trecho da petição

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA DE FAMÍLIA DA CIDADE

(CPC, art. 53, inc. I, “a”)

 

  

 

 

 

 

                                                MARINA DAS QUANTAS, solteira, de prendas do lar, residente e domiciliada na Rua Y, nº. 0000, em Cidade (PP) – CEP 11222-44, inscrita no CPF(MF) sob o nº. 333.222.111-44, com endereço eletrônico ficto@ficticio.com.br, ora intermediado por seu mandatário ao final firmado – instrumento procuratório acostado –, esse com endereço eletrônico e profissional inserto na referida procuração, o qual, em obediência à diretriz fixada no art. 77, inc. V c/c art. 287, caput, um e outro do CPC, indica-o para as intimações que se fizerem necessárias, vem, com o devido respeito à presença de Vossa Excelência, com suporte no art. 693 e segs. do Código de Processo Civil, ajuizar a presente

 

AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL

C/C PETIÇÃO DE HERANÇA

 

contra

 

na qualidade de litisconsortes passivos necessários (CPC, art. 114)

 

( 1 ) KEILA DOS SANTOS, solteira, dentista, residente e domiciliada na Rua X, nº. 0000, em Cidade (PP) – CEP 11222-44, inscrita no CPF(MF) sob o nº. 222.333.444-550;

 

( 2 ) PEDRO DOS SANTOS, solteiro, médico, residente e domiciliado na Rua M, nº. 0000, em Cidade (PP) – CEP 11222-44, inscrito no CPF(MF) sob o nº. 333.444.555-66, um e outro com endereço eletrônico desconhecido,

 

em decorrências das razões das seguintes razões de fato e de direito.

 

INTROITO

 

( a ) Benefícios da justiça gratuita (CPC, art. 98, caput)

                                                                                                                             

                                                               A parte Autora não tem condições de arcar com as despesas do processo, uma vez que são insuficientes seus recursos financeiros para pagar todas as despesas processuais, inclusive o recolhimento das custas iniciais.

 

                                               Destarte, formula pleito de gratuidade da justiça, o que faz por declaração de seu patrono, sob a égide do art. 99, § 4º c/c 105, in fine, ambos do CPC, quando tal prerrogativa se encontra inserta no instrumento procuratório acostado.

 

( b ) Quanto à audiência de conciliação (CPC, art. 319, inc. VII)

 

                                                               Tendo em vista que a querela objetiva reconhecimento de União Estável com pessoa falecida, temos que esse fato, por si só, torna inviável qualquer sorte de mediação ou conciliação.

 

1 – QUADRO FÁTICO

 

                    1.1. DA PROVA DA CONVIVÊNCIA MARITAL

 

                                                               A Autora conviveu maritalmente com o senhor João dos Santos no período compreendido de 00/11/2222 a 22/11/0000 (ocasião em que veio a falecer). Desse modo, por mais de oito (8) anos conviveram sob o ângulo jurídico de união estável, período esse que colaborou firmemente na formação do patrimônio do casal.

 

                                               O rompimento da união se deu unicamente em decorrência do falecimento do citado senhor. Esse triste episódio ocorrera em 00/11/2222, em razão de ataque cardíaco agudo, o que se comprova por meio da certidão de óbito ora acostada. (docs. 01)

 

                                               Do anterior relacionamento de João dos Santos, nasceram os filhos Keila dos Santos e Pedro dos Santos, os quais figuram como litisconsortes passivos nesta querela.

 

                                               Com a morte do ex-convivente da Autora, fora aberto inventário judicial (proc. nº. 66.333.4444.5.08.0001), tendo como inventariante a pessoa de Keila dos Santos. (docs. 02/03)

 

                                               Pouco tempo depois da morte de João dos Santos, a Autora procurou a aludida inventariante. O objetivo era o ver preservado o acervo de bens que lhe competia. Salientou, por isso, naquele momento, que havia convivido com o de cujus em regime de União Estável. Contudo, esse quadro fora refutado de pronto pela mesma, razão maior da promoção desta querela.

 

                                               A Promovente e o Réu se conheceram nos idos de xx/yy/zzzz, quando, meses depois, iniciaram o relacionamento. Sempre mantiveram um convívio de união estável, como se casados fossem, com afetividade mútua, demonstrando estabilidade no relacionamento e com propósito de uma vida em comum. Amolda-se ao que registra a Legislação Substantiva Civil. (CC, art. 1.723, caput)

 

                                                  Com efeito, sobre o tema em vertente lecionam Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald que:

 

Equivale dizer: cuida-se, em verdade, de um casamento de fato, efetivando a ligação entre um homem e uma mulher, fora do casamento, merecedor de especial proteção do Estado, uma vez que se trata de fenômeno social natural, decorrente da própria liberdade de autodeterminação de uma pessoa livre que opta por viver uma união livre.

Assim sendo, a união estável nada mais é que o velho concubinato puro, caracterizado pela constituição da família de fato por pessoas que, até poderiam casar, mas optam por viver juntas, sem solenidades legais.

[...]

Nasce a união estável, destarte, de um simples fato jurídico ( a convivência duradoura com intuitu familae ), produzindo efeitos jurídicos típicos de uma relação familiar, distinguindo-se do casamento, apenas e tão somente, pela inexistência de formalidade legais e obtendo a mesma proteção que for dispensada a qualquer outro núcleo familiar...

( ... )

 

                                               Na mesma linha de entendimento são palavras de Maria Berenice Dias:

 

Nasce a união estável da convivência, simples fato jurídico que evolui para a constituição de ato jurídico, em face dos direitos que brotam dessa relação. O que se exige é a efetiva convivência more uxório, com características de união familiar, por um prazo que denote estabilidade e objetivo de manter a vida em comum entre o homem e a mulher assim compromissados...

( ... )

 

                                                  Diga-se, mais, que toda vizinhança do casal os tinha como, de fato, casados.           

 

1.2. DO DIREITO AOS BENS EM COMUM

(CC, art. 1.725)

                                                          

                                               Não resta qualquer dúvida, embora pela sumária prova dos fatos ora levados a efeito, que a Autora e o de cujus viveram sob o regime de união estável.  

 

                                               Sempre tiveram a firme intenção de viver publicamente como casados, dentro do que a doutrina chama de affectio maritalis. O casal-convinente, pois, por todos esses anos foram reconhecidos pela sociedade como marido e mulher, com os mesmos sinais exteriores de um casamento. Houvera, repise-se, colaboração mútua na formação do patrimônio.

 

                                               De mais a mais, em que pese a legislação não exigir qualquer período mínimo de convivência, constata-se que essa fora estável, com duração prolongada, por quase uma década de relacionamento, período efetivamente comprometido para a estabilidade familiar.

 

                                               Nesse compasso, seguindo as mesmas disposições atinentes ao casamento, da união estável em relevo resulta que a Autora faz jus à meação dos bens adquiridos na constância da relação, presumidamente adquiridos por esforço em comum.

( ... )

 

Sinopse

AÇÃO DE RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL POST MORTEM COM PARTILHA DE BENS

NOVO CPC

Trata-se de Ação de Reconhecimento de União Estável post mortem c/c partilha de bens, com pedido de partilha de bens, ajuizada conforme Novo CPC. 

QUADRO FÁTICO

Segundo o quadro fático narrado na inicial, a autora conviveu  maritalmente com o de cujus, colaborando na formação do patrimônio de ambos.

Delimitou-se que essa referida convivência deveria ser interpretada como de união estável( CC art. 1723 ), posto que os mesmos mantiveram convívio como se casados fossem, maiormente em ambientes públicos, profissional e social, demonstrando efetividade mútua, estabilidade no relacionamento, de duração prolongada, importando em affectio maritallis.

Em face disso, ao casal-convivente, à luz da disciplina da Legislação Substantiva Civil, sobretudo no plano econômico, teriam os bens divididos por meação, visto que a colaboração da Autora na formação do patrimônio era presumida.( CC art 1725 ) e, no âmbito sucessório, deveria concorrer com os demais herdeiros, dentro de seu respectivo quinhão( CC art 1790 ).

Ação de reconhecimento de união estável post mortem novo cpc

NO MÉRITO

A autora, portanto, demonstrou com a inicial desta Ação de Reconhecimento de União Estável post mortem, que os bens de seu conhecimento faziam parte do patrimônio e que a mesma tinha direito na proporção legal, sobretudo porquanto inexistiu pacto escrito entre os mesmos de forma diversa.

Demonstrou-se, mais, que deveriam figurar no polo passivo tão somente os herdeiros. É dizer, em ligitimidade passiva como litisconsórcio necessário ( Novo CPC, art. 114 ). Portanto, não integraria à lide o Espólio.

POLO PASSIVO E ATIVO

Conquanto consabido que o Espólio tem capacidade processual de ser parte na lide, ativa ou passivamente( Novo CPC, art. 75, inc VII ), descabida alguma dessas posições processuais na querela, pois discutia-se pretensão de reconhecimento de união estável, o que atingiria diretamente no quinhão dos herdeiros.

Por esse norte, não haveria razão para o Espólio figurar no polo passivo da lide, pois aqueles seriam os únicos titulares dos direitos em litígio.

O Espólio, sim, teria capacidade para, exemplificando, defender direitos e obrigações do falecido, com obrigações patrimoniais do próprio acervo do espólio.

Respeitante à herança ou ao direito de herdar, entrementes, restringem-se aos interessados diretos, ou seja, os herdeiros e pretendentes a herdeiros.

Incluiu-se na peça doutrina e, igualmente, 

Foram insertas notas de jurisprudência de 2018.  

 

Jurisprudência Atualizada
Jurisprudência Atualizada desta Petição:

 

DIREITO DE FAMÍLIA. APELAÇÃO CÍVEL. RECONHECIMENTO DE UNIÃO ESTÁVEL POST MORTEM. POSSIBILIDADE. PRESENÇA DE ACERVO PROBATÓRIO QUE COMPROVA A RELAÇÃO ENTRE A APELADA E O DE CUJUS. APELO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.

1. Trata-se de recurso de apelação movido por ESPÓLIO DE Antônio A. G. F. Visando a reforma da sentença proferida pelo juízo de primeiro grau que reconheceu a união estável post mortem no presente caso. 2. Nos autos consta documentação que comprova o relacionamento da apelada com o de cujus desde meados de 1997 até a data de seu falecimento em 04/01/2009. Dentre estes, fotos anexadas aos autos (fls. 465, 466/468), reconhecimento conjugal feito em ação de dissolução de sociedade de fato (fls. 266/270, e-SAJ), faturas de cartões de crédito em que consta a apelada como dependende do de cujus (fls. 444/447, e-SAJ), comprovantes de endereços comuns (fls. 445/447, e-SAJ), Boletim de Ocorrência em que a apelada é qualificada como "esposa do queixoso", Testamento Público lavrado em 2004 em que consta a autora como companheira (fls. 32/33, e-SAJ) e Declaração de união estável (fls. 70, e-SAJ). 3. Para a configuração da união estável de um casal basta que se demonstrem elementos que comprovem a vida conjunta do casal, com a manutenção de um relacionamento público e notório. Inteligência art. 1.723 do CC/02. Precedentes Tribunais Pátrios. 4. Alegações de cárcere privado cometida pela apelada sem qualquer respaldo probatório. 5. Recurso conhecido e não provido. Sentença mantida. (TJ-CE; APL 0045534-10.2009.8.06.0001; Segunda Câmara de Direito Privado; Rel. Des. Teodoro Silva Santos; Julg. 09/05/2018; DJCE 15/05/2018; Pág. 85) CC, art. 1723

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Características deste modelo de petição

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Área do Direito: Sucessões

Tipo de Petição: Petições iniciais reais

Número de páginas: 21

Última atualização: 04/09/2018

Autor da petição:

Ano da jurisprudência: 2018

Doutrina utilizada: Nelson Rosenvald, Maria Berenice Dias

Histórico de atualizações

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