Peças Processuais

Pedido de Desconsideração Inversa da Personalidade Jurídica PN609

Modelo de petição com pedido incidente de desconsideração inversa da personalidade jurídica, conforme novo cpc art 133. Execução de alimentos. Ncpc.

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Trecho da petição

 

TRECHO DA PETIÇÃO COM PEDIDO DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA (INVERSA)

 

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 00ª VARA DE FAMÍLIA DA CIDADE

 

 

 

 

 

 

 

Ação de Execução de Alimentos

Proc. nº. 334455-86.2017.007.00890.8-001

Autora: Maria de Tal

Réu: João das Quantas

 

                                               Intermediada por seu mandatário, comparece, com o devido respeito a Vossa Excelência, MARIA DE TAL, já qualificada na exordial desta Ação de Execução de Alimentos, para, com suporte no art. 133 § 2º do Código de Processo Civil, requerer a instauração de

 

INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA,

(Desconsideração inversa – Confusão Patrimonial)

 

em razão das justificativas abaixo delineadas.  

 

1 – QUADRO FÁTICO

 

                                               Em razão do despacho próximo passado, a Exequente fora instada a se manifestar acerca da certidão do aguazil, a qual demora à fl. 11, verso. Assim, com o propósito de proceder com a continuidade do feito, passa a expor estas considerações.              

 

                                               Afirma o meirinho que procurou o Executado para fins de citação. Certificara, por isso, que “...conforme informações dos vizinhos da residência do citando, o senhor João das Quantas mudou-se de seu endereço residencial, indicado no presente mandado há mais de um ano. Não foram informados eventuais novos endereços do mesmo, apesar dos esforços empreendidos por este oficial de justiça.“ (fl. 27, verso)

 

                                               Depois disso, procurou promover o arresto de bens daquele. Não logrou êxito.  

                                   

                                               Posteriormente, do que se extrai do arrazoado que repousa às fls. 17/18, a credora pediu o bloqueio de ativos financeiros do devedor, via Bacen-Jud. O resultado, igualmente, fora insatisfatório. A informação do Bacen fora no sentido da existência de R$ 19,90 junto à conta corrente nº. 0000-22, do Banco Delta S/A (fls. 37/38).

 

                                               Diante disso, requereu a pesquisa no banco de dados da Renavam (fl. 41). Também infrutífera. (fl. 43)

 

                                               Ainda no afã de perseguir bens do Executado, requereu a este juízo a obtenção, junto à Receita Federal, da declaração do Imposto de Renda, o que foi deferido. Dormita às fls. 47/59 informações dando conta de que esse detém cotas sociais da empresa Sociedade Xista Ltda.

 

                                               Obtiveram-se certidões nos Cartórios de Registro de Imóveis desta Capital. Constatou que essa sociedade empresária, da qual o Executado detém 95% das cotas sociais, é proprietária de sete imóveis. (docs. 01/07) Além disso, o imóvel objeto da matrícula nº. 005599, do Cartório de Registro de Imóveis da 4ª Zona desta Capital, não obstante registrado em nome da sociedade empresária, tem o fornecimento de energia nominado ao ora devedor de alimentos. (docs. 08/11)

 

                                                Com efeito, não há dúvida de que o Executado está manipulando, ardilosamente, os recursos financeiros da sociedade empresária, com o propósito único de fraudar sua credora de alimentos.

 

2 – DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA – TEORIA MAIOR

 

2.1. Requisitos preenchidos (CPC, art. 133, § 1º c/c CC, art. 50)

 

                                               Inconteste que os bens da sociedade empresária pertencem, em verdade, ao Executado. Perceba que um deles é um apartamento residencial. E, mais, grande parte desses foi registrada após a dissolução do casamento.  

 

                                               Cediço que a desconsideração da personalidade jurídica reclama que se apresente fundamento com respeito à teoria maior ou, de outro lado, à teoria menor.

 

                                               A teoria maior, regra em nosso ordenamento, encontra-se disposta no Código Civil, verbo ad verbum:

 

CÓDIGO CIVIL

Art. 50 - Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.

 

                                               Já a teoria menor, consoante melhor doutrina, atrela-se tão somente à dificuldade do recebimento de bens do devedor. Assim, um único pressuposto. Quanto à teoria maior, além do obstáculo ao recebimento do crédito, exige, além disso, provar-se o “abuso da personalidade jurídica”.  

 

Sinopse

PEDIDO DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA (INVERSA)

Trata-se de modelo de petição com pedido de Incidente de Desconsideração Inversa da Personalidade Jurídica requerida com suporte no art. 133 e segs. do Código de Processo Civil de 2015, tendo como fundamento o abuso da personalidade jurídica em face de confusão patrimonial (CC, art. 50).

Narra a peça incidental que a exequente fora instada, em razão de despacho em ação de execução, a manifestar-se acerca da certidão do oficial de justiça. Nessa o meirinho certificara que a executada fora procurada para fins de citação, quando o mesmo verificou que a executada “... se encontrava com suas portas cerradas, não mais funcionando no local informado nos autos. “. Procurou-se, empós disso, promover o arresto de bens da mesma, onde identicamente não se logrou êxito.

Posteriormente a credora pedira a efetivação de bloqueio de ativos financeiros do executado, via Bacen-Jud. O resultado, igualmente, fora insatisfatório. A informação do Bacen fora no sentido da existência de R$ 19,90 (dezenove reais e noventa centavos).

Diante disso, requereu-se a pesquisa no banco de dados da Renavam. Também infrutífero o resultado. 

Ainda no afã de perseguir bens do executado, requereu-se ao juízo a obtenção junto à Receita Federal da declaração de rendimentos do Imposto de Renda do executado, o que foi deferido. As informações davam conta de que esse detém quotas sociais de determinada sociedade empresária.

Com as certidões obtidas nos Cartórios de Registro de Imóveis constatou-se que a referida sociedade empresária, da qual o executado detém 95%(noventa e cinco por cento) das cotas sociais, detinha 7(sete) imóveis. Além disso, o imóvel objeto da matrícula nº. 005599, do Cartório de Registro de Imóveis da 4ª Zona desta Capital, apesar de registrado em nome da sociedade empresária, tinha o fornecimento de energia em nome do Executado.

Assim, percebeu-se que o executado se encontrava manipulando ardilosamente os recursos financeiros da sociedade empresária, com o propósito único de fraudar sua credora de alimentos.  

Inegavelmente os bens da sociedade empresária pertenciam, em verdade, ao executado. Até mesmo é um apartamento residencial do devedor dos alimenotos. E, mais, grande parte dos bens foi registrada após a dissolução do casamento.  

Almejando, então, desconsiderar inversamente a personalidade jurídica e, com isso, procurar penhorar bens dessa, a exequente procurou demonstrar pleito abrigaria todos os pressupostos processuais para tal desiderato. (novo CPC, art. 133, § 1º c/c CC, art. 50)

Argumentou-se que para a aplicação da teoria inversa da desconsideração da personalidade jurídica seria indispensável que se deparasse com uma das seguintes hipóteses: que os sócios tenham agido com abuso de direito, desvio de poder, fraude à lei, praticado fato ou ato ilícito, violado os estatutos ou o contrato social ou, ainda, que os atos praticados por aqueles que tenham causado prejuízo a terceiros.              

É dizer, à aplicação da desconsideração da personalidade jurídica seria necessário apresentar-se se o fundamento para tal diz respeito à teoria maior ou, de outro lado, à teoria menor.

No tocante à teoria maior, que é a regra em nosso ordenamento, a disciplina se encontra disposta na Legislação Substantiva Civil. (CC, art. 50)

Já no que tange à teoria menor essa se atrela tão somente à mera dificuldade do recebimento de bens do devedor. Assim, um único pressuposto. Já quanto à teoria maior, como se percebe, além do obstáculo ao recebimento do crédito, havia, além disso, a necessidade de provar-se o “abuso da personalidade jurídica”. Portanto, há mais requisitos a serem atendidos.  

E todos esses requisitos foram demonstrados na peça processual em espécie.

Posto isso, a exequente pleiteou fosse instaurado o incidente de desconsideração inversa da personalidade jurídica (novo CPC, art. 134, § 4º).

Solicitou-se a citação da sociedade empresária “Sociedade Xista Ltda” para, querendo, manifestar-se (novo CPC, art. 135).

Uma vez provada a ocorrência da confusão patrimonial (CC, art. 50), pediu-se, por isso, seja proferida decisão interlocutória (novo CPC, art. 136, caput) de sorte a desconsiderar-se inversamente a personalidade jurídica da sociedade empresária, incluindo-a, assim, no polo passivo da execução de alimentos.

Foram inseridas notas de jurisprudência de 2018.          

                                   

Jurisprudência Atualizada
Jurisprudência Atualizada desta Petição:

 

AGRAVO DE INSTRUMENTO. FAMÍLIA.

Reconhecimento e dissolução de união estável, guarda e alimentos. Decisão agravada que acolhe pedido de inclusão das empresas administradas pelo varão no polo passivo, bem como fixa alimentos em favor do filho menor e da ex-companheira, estabelecendo a guarda unilateral do menor à genitora. Recurso do varão. I. Desconsideração inversa da personalidade jurídica. Possibilidade. Indícios suficientes de confusão patrimonial e utilização de interpostas pessoas com o fito de frustrar a meação. Requerimento que não depende da instauração de incidente, podendo ser formulado na petição inicial. Exgese do art. 134, §2º, do NCPC. II. Alimentos ao filho menor. Redução. Descabimento. Necessidades presumidas do adolescente. Ausência de prova segura quanto à propalada incapacidade do genitor. Indícios de que o alimentante pode mais do que alega. Manutenção impositiva do encargo. III. Alimentos à ex-companheira. Necessidade demonstrada. Labor jamais exercido ao longo do companheirismo. Valor, contudo, que merece adequação. Verba que tem caráter transitório e auxiliar, não se destinando à manutenção do padrão de vida anterior. Ausência de prova robusta quanto aos dispêndios necessários. Redução da obrigação. lV. Guarda do filho adolescente. Inversão injustificada. Compartilhamento, entretanto, possível. Ausência de fatos que desabonem a conduta de quaisquer dos genitores. Dissenso quanto à partilha que não deve servir de impeço à harmônica convivência das partes na estrita observância do que respeita ao filho menor. Regra do art. 1.584, §2º, do CC/02 que deve ser aplicada, sem prejuízo de revisão futura, se assim recomendar o melhor interesse do adolescente. Agravo de instrumento conhecido e parcialmente provido. (TJSC; AI 4024870-08.2017.8.24.0000; Içara; Primeira Câmara de Direito Civil; Rel. Des. Jorge Luis Costa Beber; DJSC 06/03/2018; Pag. 143)

 

AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA. REQUISITOS LEGAIS. ABUSO DA PERSONALIDADE. FRUSTRAÇÃO DA EXECUÇÃO. OCULTAÇÃO DE PATRIMÔNIO. ACUIDADE DA DECISÃO.

Desconsideração inversa da personalidade jurídica. Cognoscível a inclusão de pessoa jurídica de propriedade do sócio, em face da evidente utilização da empresa como meio de ocultação de patrimônio do devedor (art. 50, do Código Civil). Desconsideração inversa ora expressa no artigo 133, §2º, do Novo Código de Processo Civil. Evidenciado o abuso em desfavor do credor, utilização de pessoas jurídicas para a frustração do cumprimento de sentença;. Impugnação do valor da dívida e excesso de garantia repelidos. Argumentos incipientes, sequer instruídos ou especificados (conduta que beira a litigância de má-fé). Valor demonstrado pela requerida e bens constritos insuficientes para a satisfação da execução; AGRAVO DE INSTRUMENTO NÃO PROVIDO. (TJSP; AI 2199531-77.2016.8.26.0000; Ac. 10233108; São Paulo; Trigésima Câmara de Direito Privado; Relª Desª Maria Lúcia Pizzotti; Julg. 08/03/2017; DJESP 15/03/2017)

           

APELAÇÃO CÍVEL EMBARGOS À EXECUÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE TÍTULO EXECUTIVO. REJEITADA. CONTRATO FIRMADO POR FUNCIONÁRIO NA SEDE DA EMPRESA DE PROPRIEDADE DO EMBARGANTE/APELANTE. FATO PÚBLICO E NOTÓRIO. TEORIA DA APARÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CONFIGURAÇÃO DOS REQUISITOS AUTORIZADORES. COMPROVAÇÃO DA CONFUSÃO PATRIMONIAL. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO NÃO PROVIDO

I. Segundo estabelece o art. 370, do CPC, cabe ao Juiz decidir sobre a necessidade de produção de provas, podendo indeferir aquelas meramente protelatórias ou desnecessárias à formação do seu convencimento, mormente no caso concreto em que verificou-se que era possível à parte apelante diligenciar administrativamente para obter os documentos que entende ser imprescindíveis. II. Restando comprovada a confusão patrimonial dos bens do sócio que se valeu da pessoa jurídica para ocultação ou desvio de bens pessoais, com prejuízo aos credores, deve ser deferida a desconsideração inversa da personalidade jurídica. (TJMS; APL 0001004-11.2015.8.12.0043; Primeira Câmara Cível; Relª Desª Tânia Garcia de Freitas Borges; DJMS 23/02/2017; Pág. 136)

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Características deste modelo de petição

Comentários

Área do Direito: Família

Tipo de Petição: Incidente desconsideração personalidade

Número de páginas: 13

Última atualização: 21/04/2018

Autor da petição:

Ano da jurisprudência: 2018

Doutrina utilizada: Flávio Tartuce, Nelson Rosenvald, Sebastião de Assis Neto, Carlos Roberto Gonçalves

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